Artigos de Opinião
31
Out.

Tem vertigens? Talvez o Audiologista possa ajudar

A vertigem e o desequilíbrio são sintomas muito frequentes e valorizados pela população, podem aparecer em qualquer idade e têm variadíssimas causas. É um sintoma que implica diretamente com a qualidade de vida, mas com o tratamento adequado muitas vezes pode ser ultrapassado.

A vertigem caracteriza-se por uma falsa sensação de movimento ou rotação, geralmente acompanhada de falta de equilíbrio, náuseas ou vómitos, podendo mesmo tornar-se incapacitante e impedindo a normal realização de tarefas do dia-a-dia.

Um dos tipos mais frequentes de vertigem é a VPPB (vertigem posicional paroxística benigna), causada pela deslocação de otólitos (vulgarmente denominados "cristais") no ouvido interno e manifesta-se por episódios recorrentes de sensação de rotação, com duração de alguns segundos, geralmente associados a náuseas. Este tipo de situações é provocado pela alteração de posição da cabeça, por exemplo ao deitar, levantar ou virar-se na cama.

O ouvido interno contém três canais semicirculares que ajudam no equilíbrio. O canal posterior, ao contrário do canal superior (também chamado canal anterior) e o canal lateral, está na melhor posição para receber a maioria das partículas soltas, por gravidade, durante a noite. Conforme elas se vão alojando nos canais semicirculares, formam um sedimento esbranquiçado que exagera o movimento do líquido no canal quando a cabeça muda de posição. O resultado é um aumento na estimulação de recetores nervosos (células ciliadas) dentro do canal semicircular, criando uma falsa sensação de movimento ou rotação.

As partículas podem ser deslocadas do utrículo e do sáculo (bolsas membranosas presentes no ouvido interno que contêm o líquido endolinfático, responsável pela estimulação das células ciliadas) à medida que a pessoa envelhece ou podem ser deslocadas por outros fatores, como por exemplo:

  • Infeções do ouvido
  • Lesão na cabeça ou no ouvido
  • Repouso prolongado na cama
  • Cirurgia do ouvido
  • Outros distúrbios do ouvido interno (tais como Doença de Ménière)
  • Possível bloqueio de uma artéria ao ouvido interno

A vertigem posicional benigna pode ser assustadora e desconfortável, mas é geralmente inócua e desaparece por si mesma ou com exercícios simples.

DIAGNÓSTICO

A VPPB é de fácil diagnóstico pelo Audiologista (técnico superior de saúde responsável pelo diagnóstico e reabilitação auditiva e vestibular) ou médico ORL (especialidade médica que se dedica ao diagnóstico e tratamento médico e cirúrgico das doenças dos ouvidos, nariz e garganta), através da história clínica e da presença de nistagmos (movimentos involuntários dos olhos)  de características específicas durante a manobra provocadora, sendo a mais usada a manobra de Dix-Hallpike. Esta manobra consiste na movimentação da cabeça do paciente de forma a promover um deslocamento das partículas de forma a desencadear a sensação de vertigem. Nesta manobra o paciente deve iniciar em posição sentada, com a cabeça rodada lateralmente cerca de 45º (direita ou esquerda, conforme o lado a ser testado) e segurando a cabeça do paciente, deita-se rapidamente para trás, ficando com a cabeça levemente pendurada e rodada para o lado testado, observando a reação do paciente nomeadamente a presença ou não de nistagmos.

TRATAMENTO

Como a VPPB se caracteriza pela deslocação dos "cristais" o tratamento passa pelo seu reposicionamento através de manobras específicas que vão permitir às partículas migrar novamente para o local correto no ouvido interno. A manobra de Epley é a técnica mais frequente e com maior taxa de sucesso para tratar a vertigem posicional paroxística benigna do canal semicircular posterior (tipo mais frequente) e pode ser realizada pelo Audiologista ou médico ORL, em poucos minutos no consultório, devendo o paciente seguir as indicações do profissional de saúde como restringir os movimentos da cabeça após a realização das manobras e fazendo o devido seguimento.

É muito importante que quem sofre de problemas de vertigem realize um rastreio vestibular junto de um profissional de saúde auditiva de forma a esclarecer todas as questões, cuidados a ter e em particular ajudar no tratamento dos sintomas.




   Pedro Pires
   Audiologista da Parente Centro Auditivo

 

 

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