Artigos de Opinião
04
Set.

A ventilação e o Olho Seco

90% do ar que respiramos habitualmente é ar interior e, tal como referido pela OMS, este pode estar até 10 vezes mais contaminado que o exterior. Os espaços fechados geram um ambiente viciado com um ar repleto de componentes tóxicos como partículas e gases que podem provocar transtornos respiratórios e de outro tipo, inclusive em pessoas saudáveis. A situação Covid exige ainda mais cuidados para garantir que o ar interior é o mais limpo possível.

 

Em muitos edifícios não é possível ter as janelas abertas, para a necessária renovação do ar e por isso é necessário que os aparelhos de ar condicionado aumentem a sua capacidade de ventilação e a renovação do ar. Quer isto dizer que, com o regresso a uma maior normalidade e o consequente aumento de ocupação dos edifícios vai existir a necessidade de aumentar a força e horas de funcionamento destes equipamentos para ventilar mais e melhor.
As consequências para os olhos são significativas ainda mais para quem tem tendência ou sofre de síndroma de Olho Seco, mas existem soluções para ajudar a ultrapassar esta questão.


Mas afinal o que é o Olho Seco?

Ter síndrome do olho seco significa que a sua lágrima não é suficiente para manter os seus olhos hidratados. Isto pode dever-se a vários fatores:

  • Idade: A partir dos 65 anos, derivado a fatores de envelhecimento, a maioria das pessoas começa a ter sintomas de olho seco.
  • Género: Devido a alterações hormonais, uso de contracetivos e à menopausa, as mulheres têm mais tendência para sofrer de olho seco.
  • Condições ambientais: Quando se trabalha no computador, a frequência do pestanejo diminui, proporcionado mais tempo de exposição da superfície ocular ao ar. Por tal, a lágrima que cobre essa mesma superfície evapora com mais rapidez e facilidade. A exposição ao fumo, ao vento ou ambientes secos (exemplo: edifícios com ar condicionado) também são fatores de contribuem para o olho seco.
  • Fraca qualidade da lágrima: disfunções nas três camadas da película lacrimal.
  • Redução da produção de lágrima: Incapacidade de produção de lágrima suficiente que proporcione proteção e hidratação.
  • Medicamentos: Anti-histamínicos, descongestionantes e antidepressivos são fármacos que contribuem para redução de quantidade e qualidade da lágrima.
  • Patologias: Pessoas com artrite reumatóide, diabetes e problemas da tiróide, podem aumentar o risco de sofrer de olho seco.
  • Outros fatores: Intervenções cirúrgicas refrativas (LASIK) e o uso de lentes de contacto a longo prazo.

 

Como sei se sofro de Olho Seco?

  • Mal-estar após a leitura prolongada, televisão ou a trabalhar no computador.
  • Sensação de areia ou corpo estranho
  • Lacrimejo excessivo após períodos de secura ocular
  • Sensação de comichão ou irritação ocular
  • Aumento de irritação produzida pelo vento ou pelo fumo
  • Secreção viscosa no olho
  • Sensibilidade à luz
  • Pequenos períodos de visão turva

 

Como tratar?

As lágrimas artificiais são o primeiro tratamento a ser utilizado para alívio dos sintomas do olho seco, sejam eles ligeiros, moderados ou severos. Contudo, existem também técnicas cirúrgicas que promovem o bem-estar do paciente perante este síndrome.
Os sintomas de olho seco podem também ser tratados, alterando o ambiente o estilo de vida:

 

  • Fazer pausas na leitura quando trabalha no computador. De 20 em 20 minutos, olhar durante 20 segundos para uma distância de 20 pés (aprox. 6 metros), é uma regra que se deverá utilizar.
  • Sempre que possível evitar estar muito tempo em edifícios fechados
  • Beber mais água. Também por outras razões, o ideal são 2 litros por dia.
  • Evitar o pólen, fumo e outras partículas do ar.
  • Utilizar uma compressa morna uma ou duas vezes por dia, ajuda a hidratar os olhos .
  • Complementos vitamínicos ricos em ómega-3, promovem uma lágrima com mais qualidade.
  • Manter uma higiene ocular adequada (pálpebras), contribui para uma melhoria da saúde ocular.
  • Consulte um especialista da visão para poder esclarecer todas as suas dúvidas relativamente a esta síndrome que mais do que nunca, veio para ficar.




   Tiago Parente
   Optometrista da Parente Óptica Médica

 

 

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